Segunda geração de brasileiros: “Desafio é preservar a cultura”

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Em sentido horário: os adolescentes Antonio Ferreira (blusa azul), Fernando Pedro, Max Batista e Lais Fernanda Rodrigues, estudantes do Malden High School

Nascidos em território americano, jovens se socializam na cultura americana na escola e com amigos, conhecem o Brasil pela ótica dos pais e sonham com um futuro melhor

Fabiano Ferreira

Preservar a cultura brasileira, se comunicar bem com os pais, conseguir boa formação e garantir um futuro melhor para si e para a família. Estes são alguns dos desafios da “segunda geração” de brasileiros que vive em Massachusetts. São filhos de brasileiros que nasceram aqui ou chegaram ainda bem pequenos e convivem com as culturas americana e brasileira.
Não há estatísticas de quantos jovens se enquadram nesta categoria, mas sabe-se que a comunidade brasileira já começa a sentir que está passando por uma transformação. Isso porque os brasileiros que chegaram nos EUA há 20, 30 anos, se estabeleceram, casaram, tiveram filhos e hoje estão acompanhando a formação de uma geração diferente, bilíngüe e totalmente conectada aos hábitos americanos.
A reportagem do Jornal A Semana entrevistou alguns destes jovens para saber como vivem, o que pensam sobre essa mistura cultural e o que esperam do futuro. A maioria se socializa naturalmente com americanos e outras raças, mas muitas vezes acaba tendo menos oportunidades por ter de trabalhar em período oposto ao da escola.
Um deles é o estudante Ygor de Oliveira, 16 anos, morador de Brigthon (MA). Ele nasceu nos EUA e conta que aprendeu naturalmente os dois idiomas (português e inglês) e diz gostar de conviver com as duas culturas. Ygor já foi ao Brasil para conhecer sua família, o que considerou uma experiência muito interessante. “Gosto do futebol e da música brasileira, apesar de na escola e em vários lugares muitas pessoas acharem que sou ameri
cano”, diz.
Para ele, o maior desafio é estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Ele faz High School e começou a trabalhar num centro de treinamento da área de saúde. “Não tenho muito tempo para fazer o dever de casa, mas espero atingir todos meus objetivos”, diz. Por outro lado, ele vê sua atividade como o início de uma carreira profissional.
Outro estudante filho de brasileiros, mas que nasceu por aqui, é Victor Oliveira, de Everett (MA). Aos 23 anos, ele acredita que ter contato com as duas culturas é um privilégio. “Quando nasci, meus avós vieram do Brasil para ajudar meus pais a cuidarem de mim, então acabei aprendendo o português primeiro que o inglês”, conta. Apaixonado pelo Flamengo, Victor tem mais contato com a comunidade brasileira, pois cerca de 40% dos seus amigos são americanos. “Acho importante não perder as raízes brasileiras, manter o idioma e os costumes de lá. Eu e minha noiva sempre falamos sobre isso e, no futuro, queremos passar o que sabemos aos nossos filhos”, afirma.

União na High School – Conversar com os pais e fazê-los entender alguns conceitos que tem a haver somente com a cultura americana. Essa é a parte meio “chata” que os adolescentes consideram da mistura de origens. “Muitas vezes eles não conseguem nos entender bem porque ainda não sabem como é o dia-a-dia convivendo com nossos amigos americanos”, diz Max Batista, 13 anos.
Já Lais Fernanda Rodrigues, 15 anos, também nascida nos EUA, diz que tem boa comunicação em casa porque desde criança seus pais ensinaram e exigiram que ela falasse a língua portuguesa. “Aprendi inglês mesmo somente na escola”, conta.
Bastante pró-ativa, a pedido da reportagem, Lais reuniu os colegas da mesma escola para uma foto especial. Entre eles, o espírito de colaboração é visível, o que ajuda a fortalecer os laços de nacionalidade e a enfrentar os desafios em solo americano.

Os pontos positivo e negativo – Na opinião da líder comunitária Kátia Silva, que trabalha na coordenação de uma instituição religiosa que tem grupos de jovens, o ponto positivo para os filhos de brasileiros que nascem nos Estados Unidos são as maiores oportunidades para obter conhecimento. “Os pais acabam lutando para dar aos filhos as chances que não tiveram para que eles tenham uma realidade diferente no futuro”, diz.
Já o ponto de dificuldade é justamente o que os jovens relatam sobre a comunicação e entendimento de ambos. “Há jovens que ficam um pouco perdidos e sem referência de identidade. Como vivem uma fase de questionamento típico da adolescência, isso pode ser ainda pior”, observa. Mas para ela, o balanço de tudo é positivo.

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