Rita Armstrong: “Nunca desista dos seu sonhos”

Rita3

Rita com o marido Stephen e a filha Sofia: familia unida depois de idas e vindas

Por Fabiano Ferreira

Brasileira que cruzou a fronteira do México ha 10 anos travou uma luta para conseguir se tornar cidadã.

As histórias de brasileiros na América são sempre recheadas de emoções, sonhos, lutas e muitas conquistas, mas nem sempre finais felizes. A maioria acaba permanecendo nos Estados Unidos mesmo de forma ilegal para seguir adiante a proposta de ter uma vida melhor e também dar conforto e possibilidades aos familiares que ficaram no Brasil. Conseguir a Cidadania Americana, que dá a pessoa direitos e trânsito livre, é um sonho que parece impossível para muita gente.

Mas há que lute contra a corrente e busque todas as alternativas possíveis para se legalizar e ter uma trajetória reconhecida.
A história da brasileira Rita Armstrong, 45 anos, é daquelas que rendem um livro. Basta ouvi-la contar sobre seus últimos 10 anos de vida para entender o quanto a força de vontade e persistência são fundamentais para realizar um sonho.

A saga de Rita começou em Governador Valadares (MG), onde morava com os pais e cursou a faculdade de Letras. Ao final do curso, como não tinha recursos suficientes, acumulou uma dívida que para seus padrões da época era praticamente impagável. Como ela tinha o sonho de vir para os Estados Unidos tentou o visto várias vezes, mas não obteve a autorização. Foi quando tomou a arriscada decisão de entrar pelo México, em 2005. Começou aí um pesadelo que é vivido diariamente por centenas de pessoas que arriscam a vida em busca do sonho americano.
“Sofri muito por vários dias no deserto. Vi de tudo na travessia: bichos, restos mortais, passei sede e ficamos em lugares sem nenhuma estrutura, além de atravessar um rio profundo todos de mãos dadas. Na fronteira fomos amontoados e tivemos a sorte de passar mesmo com os cachorros latindo”, relembra Rita.

Após ter viajádo por 24 horas seguidas numa van, foi deixada no meio do nada por um coyote. Um colega de travessia conseguiu um celular e ela pode ligar para a pessoa que iria lhe ajudar nos primeiros dias. Sem tomar banho há uma semana e com o psicológico abalado por tantas emoções, ela foi acolhida e em seguida começou mais uma etapa de sua luta.

Trabalhou como house cleaner e hostess num restaurante, além de cuidar de idosos num asilo. Mas certo dia descobriu que em Everett (MA) seria aberta escola de inglês Fisk, franquia bastante conhecida no Brasil. Como já havia trabalhado numa unidade da Fisk no Brasil, não pensou duas vezes e foi pedir uma oportunidade. E foi lá que sua vida tomou outro rumo. Conheceu seu marido, o americano Stephen Armstrong, que na época dava aulas VIP uma vez por semana na escola. Foi paixão à primeira vista e ambos resolveram se casar.

Mas a esta altura Rita já não aguentava mais de saudade do filho de seu primeiro casamento que havia ficado com o pai no Brasil. Ao invés de pedir o Green Card para ela, quis que o marido aplicasse para o filho, para que pudesse trazê-lo para perto. Deu certo. No entanto, ela teve uma surpresa quando tentou se legalizar.

Os primeiros advogados procurados por Rita afirmaram categoricamente que ela não tinha chances pois havia entrado pelo México. Mas ela não se c
ontentou com a resposta e foi em busca de alternativas. Acabou chegando ao escritório Joyce & Associates, especializado em imigração.”O Willian Joyce foi o único que me disse que havia 50% de chance de conseguir os documentos. Eu teria de ir ao Brasil para pedir o perdão e tentar por lá a autorização de legalização para voltar aos Estados Unidos”.
Outra fase começava: Rita teria de correr o risco de ir para o Brasil e talvez não poder voltar para junto do seu marido e para a rotina que já havia estabelecido aqui. “Resolvi arriscar. Mas como na época estávamos gastando muito com os advogados coloquei minha mudança numa storage e vendi meu anel de casamento para comprar a passagem. Era tudo ou nada, mas eu acreditava muito que podia dar certo”, conta.

Ela viajou com a filha Sofia, de apenas um ano, na esperança de regularizar seu status e poder voltar para o País em que conheceu seu marido e onde conseguiu oportunidades nunca tidas antes no Brasil.
O marido foi morar num basement e ela ficou durante seis meses no Brasil aguardando o dia da entrevista. Uma webcam era seu único meio de se comunicar com Stephen.
Depois de participar da entrevista seu processo seguiu para Lima, no Peru, e um mês depois veio a boa noticia: o pedido foi aprovado. “Voltei para os EUA em 2012 de cabeça erguida, pelas portas da frente”, ressalta.

No retorno precisava trabalhar e acabou conseguindo uma vaga justamente no Joyce & Associates como office coordinator. “Foi o que de melhor poderia ter ocorrido, pois eu passei a ajudar no atendimento a pessoas com os mesmos sonhos e expectativas que eu. Como passei por todo o processo sabia exatamente o misto de frustração, ansiedade e esperança que todos sentem ao buscar ajuda de um advogado para regular sua situação neste pais”.

E o mais recente capítulo dessa história aconteceu semana passada, quando Rita recebeu oficialmente sua certidão de Cidadania Americana. “Acredito que tudo que passei tinha um propósito por isso busquei forcas dentro de mim para lutar e acreditar. A mensagem que tenho para as pessoas e que nunca se acomodem e sempre busquem o máximo de informações, pois isso com certeza fará diferença em suas vidas. Vale a pena lutar!”, finaliza enquanto abraça a filha e o marido para a sessão de fotos desta matéria.

Notícias Relacionadas

Faça Um Comentário

O seu email não será publicado. Os campos requeridos estão marcados com *

A Semana » Developed by Truejump