Política, mídia e religião, mistura quase perfeita

Collor_de_Mello_Cacador_de_Marajas

Nessa época era um festival de Marajás

Por Adson Fernandes >>>

Na eleição para presidente de 1989, não havia a força das redes sociais e a mídia reinava absoluta, naquela época a mídia erguia e destruía candidatos de acordo com o que lhe era conveniente. Na ocasião não era conveniente deixar um operário chegar à presidência, Lula estava em ascensão, portanto era uma ameaça para os donos da comunicação no Brasil. Daí nasceu o “Caçador de Marajás”, um sujeito jovem, bom falante, poliglota e bonito, foi o escolhido para representar o Brasil dos poderosos. Fernando Collor de Melo foi capa da revista Veja, capa bonita e uma matéria que o apresentava como o homem honesto que destronou os marajás de Alagoas, fato que o qualificava a se tornar presidente da república.

Foi um tremendo alvoroço, Collor era apresentado em Igrejas por Pastores e até mesmo Padres como o representante do bem, o homem de Deus capaz de vencer a força do mal, o Lula, o representante do demônio. A poderosa Globo colocou Collor debaixo de suas asas e o cobriu de glórias, não é demais lembrar que Collor foi casado com Lilibeth Monteiro de Carvalho, filha mais jovem de Joaquim Monteiro de Carvalho, que por sua vez era sócio de Roberto Marinho, o então poderoso dono da Rede Globo de Televisão. A falta de imparcialidade da Globo foi tão escancarada que ela chegou a editar o debate dos Presidenciáveis para mostrar aos eleitores que Collor teria sido o grande vencedor. Naquele mesmo ano a revista Veja, como sempre preocupada com o crescimento da popularidade Lula, publicou uma matéria de Capa em que mostrava os sequestradores do empresário Abílio Diniz, proprietário da rede de Supermercados Pão de Açúcar, a revista fazia ligação dos sequestradores com o Partido dos Trabalhadores e afirmava que a finalidade era conseguir fundos para a campanha petista. Passada a eleição se comprovou que a Veja mentiu e o próprio Abílio Diniz acabou se tornando eleitor do PT.
O tempo mostrou que o representante de Deus, como era apresentado Collor por muitos pastores, não era tão santo assim e o Presidente eleito com a benção da mídia acabou renunciando para não ser caçado por corrupção.
Desde essa época a mídia tem procurado salvadores da pátria com a finalidade de emplacar na presidência da república os seus favoritos. Basta observar as matérias diárias para verificar que a comunicação no Brasil tem lado político, e isso não seria de todo mal se a mídia não tentasse passar a imagem de imparcial.

Com a chegada da internet e a popularização das redes sociais a mídia perdeu um pouco de sua força de manipulação, todavia a internet passou a oferecer também essa possibilidade. Não é pequena a parcela de pessoas que acredita religiosamente no que vê na internet. Muitos repassam o que lhes chega pronto sem a menor preocupação de checar a veracidade do conteúdo ou a origem das postagens. Até mesmo instituições religiosas entram na dança e acabam participando desse festival de mentiras que circula na net. Na eleição passada, por exemplo, eu recebi um email, vindo de uma Igreja, o email implorava para que não votássemos na candidata Dilma Rousseff, dentre as razões para que fosse atendido o pedido, afirmava que se eleita o Brasil teria uma Presidente que não poderia entrar nos EUA, pois Dilma, segundo o email teria cometido atos terroristas e participado do sequestro do embaixador americano. Ocorre que naquela época Dilma já teria visitado a Casa Branca quando exercia o cargo de Ministra Chefe da Casa Civil no Governo Lula. Eu simplesmente respondi o email com a citação Bíblica: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, juntamente com uma fotografia de Dilma ao lado de Obama na Casa Branca.
Na eleição atual a história se repete, a mídia mais uma vez tem suas preferências e tenta eleger os seus apadrinhados, mostrando que há sempre a possibilidade de construir um Salvador ou uma Salvadora da Pátria. Apesar de ser forte a negação de que política e religião não se misturam, o que observo a cada eleição é o aumento da manipulação da mistura, POLITICA, RELIGIÃO E IGREJAS!

Tenham todos uma ótimA SEMANA!

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