Polícia Federal prende grupo que planejava ataque terrorista na Olimpíada

O ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, durante entrevista em Brasília

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (21) dez brasileiros suspeitos de planejar um ataque terrorista durante a Olimpíada do Rio, que começa no próximo dia 5

Conforme a Folha revelou nesta quinta, as forças de segurança vinham monitorando cem pessoas no país que manifestavam simpatia ao Estado Islâmico.

Os dez presos constavam nessa lista de rastreados. Desde o início das investigações, eles compunham os 10% que mais despertaram atenção das forças de segurança.

As ação da PF ocorreu nos estados do Amazonas, Ceará, Paraíba, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. A operação foi planejada e realizada em cooperação com serviços de inteligência de outros países.Embora não haja registros de contatos diretos com terroristas, um dos suspeitos chegou a entrar em contato com uma empresa de armas para comprar um fuzil AK-47, o que acabou não se concretizando.

Outros fizeram o juramento de lealdade ao Estado Islâmico por meio de um site que oferece uma gravação do texto que deve ser repetido a quem deseja fazer parte do EI.

O presidente interino, Michel Temer, foi informado nesta quinta logo pela manhã da operação. Ele fez uma reunião com os ministros da Justiça, Alexandre Moraes, do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, e com o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello.

“Existem 12 mandatos de prisão. Dez estão presos e outros dois estão rastreados e aguardamos a prisão deles”, afirmou o ministro da Justiça, em Brasília.

Nos últimos dias, a preocupação com terrorismo nos Jogos cresceu, principalmente em razão do atentado em Nice, na França. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional chegou a dizer que a preocupação com o tema havia “subido de patamar”.

Na quarta (20), Alexandre de Moraes, da Justiça, baixou o tom e negou que a preocupação com terrorismo tenha aumentado.

Em entrevista à Folha, publicada nesta quarta, ele disse que a criminalidade preocupa mais que o terrorismo.”Não só as nossas agências como as internacionais colocam a probabilidade no nível mais baixo. Agora, existe possibilidade no mundo inteiro, não seria no Brasil que não existiria. A probabilidade é mínima, mas estamos tomando todos os cuidados e todas as medidas”, disse.

SUSPEITOS DE SIMPATIA COM O TERROR –  O suspeitos fazem parte de um grupo que estava sob monitoramento pelo governo interino por fazer elogios compartilhar conteúdo favorável a grupos extremistas e atentados terroristas. Eles representam cerca de 10% das cerca de 100 pessoas monitoradas pela Polícia Federal, como revelou a Folha nesta quinta.

Essa lista foi elaborada pelas autoridades a partir do comportamento desses cidadãos -brasileiros e estrangeiros que vivem em território nacional- na internet.

A grande maioria dos rastreados, aproximadamente 90%, entrou na mira por adotar conduta suspeita ao entrar mais de duas vezes nos portais ou peças de propaganda com conteúdo de exaltação a grupos extremistas.

As forças de segurança não identificaram, no entanto, que esse grupo tenha feito insinuações ou se manifestado favoravelmente a organizações terroristas.
Os outros 10% vêm chamando mais a atenção do serviço de inteligência. Trata-se de pessoas que, ao navegar por essas páginas, escreveram mensagens mais elaboradas, inclusive elogiando iniciativas extremistas, ou compartilharam conteúdos relacionados ao terror.

As autoridades de segurança destacam que, ao menos por enquanto, nenhum dos cem monitorados é visto até agora como ameaça iminente, já que não foram encontrados elementos que comprovem uma ligação direta com terroristas, como diálogos ou repasses de recursos a grupos extremistas.

Todos os suspeitos serão monitorados pelo menos até o fim dos Jogos Olímpicos, no dia 21 de agosto.

Três dessas pessoas foram identificadas pelo serviço de inteligência depois que um delegado da Polícia Federal os flagrou falando em árabe sobre bombas e explosões em um bar em São Paulo.

Sem domínio do idioma, ele soube do conteúdo da conversa porque o dono do estabelecimento era árabe e traduziu para o policial o que estava ouvindo.

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