O possível fim de um ídolo

anderson silva 579-2Por Adson Fernandes

As arenas modernas reproduzem o Antigo Coliseu. Até mesmo a participação da plateia ensandecida se assemelha a equivalente romana aos gritos: UH, UH VAI MORRER, UH, UH VAI MORRER!

A indústria da malhação do corpo impõe a todos a barriga tanquinho, o peitinho farto, o bumbum empinado e na maioria dos casos, a cabeça vazia.
O espetáculo se torna mais atrativo proporcionalmente aos ossos quebrados, rostos desfigurados e sangue derramado.
Quanto mais sangue maior é a audiência!

A indústria das drogas do corpo “perfeito” fornece anabolizantes e todo tipo de droga, (Suplemento Alimentar), que não dão barato, não fazem mais a cabeça, mas fazem o corpo e isso é que importa!
O espetáculo tem de continuar gerando milhões e a isso deram, convenientemente, o status de esporte!
Esporte apreciado por milhões ao redor do mundo, que não faz distinção religiosa, tem católico, tem budista, protestante, gente de todos os credos que engorda a audiência.
Na hora da pesagem tem de ter a cara feia, a encarada olho no olho e até provocações pessoais com cara de homens maus.
Nem sempre o final é feliz, não me refiro ao final da luta, que é sempre feliz para uma das partes, mas sim ao final da carreira, há sempre seqüelas por todo o corpo e algumas vezes na honra.
É exatamente isso que aconteceu com o nosso ídolo de multidões, sedenta por socos e pontapés. Anderson da Silva deixa os ringues após ser pego no doping, depois de anos passando ileso por vários exames e conquistando glórias no octógono.

O nosso herói brasileiro escancara para o mundo, o mundo da indústria do corpo, que praticamente obriga atletas a irem além do que suporta o corpo, ainda que para isso, use de recursos ilícitos.
Claro que o fato não quer dizer que Anderson não foi competente durante todo esse tempo, mas mostra claramente que a corrupção é sim fortemente presente no meio esportivo.
Aliás, é fortemente presente em toda parte que houver dinheiro a ser ganho e gente disposta a tudo para ganhá-lo.
É o capitalismo selvagem que engole a todos nós.

Anderson, o nosso herói, bem que podia ter parado mais cedo e sairia por cima, teria o nome para sempre entre os melhores desse esporte, sem nem uma mácula se quer, mas por um descuido infantil menosprezou o adversário e pagou caro sofrendo aquela derrota. Tentou retomar o posto, e teve a perna quebrada por mera infelicidade. Depois de ano de esforço, de exercícios e possivelmente drogas como acusa os exames, voltou e teve uma vitória miúda, mas grande para quem esteve em recuperação. Pois não durou uma semana e Anderson aparece agora não mais como herói, mas como fraude. Por ironia do destino, sem querer falar em política, mas já falando, nas eleições passadas Anderson externou apoio a Aécio tendo como discurso o moralismo como argumento para concertar as coisas erradas que são muitas no Brasil.

Certamente haverá discussões calorosas contra e favor, até mesmo esse meu texto será repudiado por muitos, mas tudo leva a crer que Anderson passou, assim como passaram vários atletas que se sucumbiram aos dólares da indústria do corpo. Anderson envelheceu e as arenas modernas precisam de sangue, de muito sangue e preferencialmente sangue novo. Afinal é essa a matéria prima que alimenta o show que incrivelmente hipnotiza platéias desde os tempos do império romano, Tenham todos uma ótimA SEMANA!

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