Número de imigrantes americanos no Brasil aumenta quase 70% em dez anos

gringo2O Brasil registrou aumento de 68,6% na entrada de imigrantes dos EUA de 2000 a 2010, de acordo com dados divulgados pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) no estudo “Tendências e padrões da imigração latino-americana e caribenha de 2010 e desafios para uma agenda regional”.
Segundo a entidade, o aumento de estadunidenses que se instalaram em países da América Latina e do Caribe dobrou nesses dez anos, que coincide com o período da crise econômica norte-americana.
No México, país que mais recebeu imigrantes dos EUA entre 2000 e 2010, 740 mil entradas foram registradas, aumento de 106%. Na República Dominicana, o crescimento foi de 712% com a chegada de 24,5 mil cidadãos. Na Argentina, o aumento foi de 81% e no Uruguai, de 93%.
Para Ana Luíza Matos de Oliveira, economista e analista de políticas sociais, a escolha da América Latina e Caribe como destino não se dá por acaso. Para ela, a Europa deixou de ser o principal destino dos norte-americanos após a crise mundial, o que tornou países em desenvolvimento, como o México e o Brasil, ainda mais atratativos.
“A Europa também vive reflexos da crise econômica, então não é mais uma opção viável aos americanos. Aqui no Brasil temos recebido imigrantes de várias nacionalidades porque lá [na Europa e EUA] o mercado de trabalho está difícil. Muitos chegam com a ideia de abrir seu próprio negócio, por exemplo”, afirmou.
Apesar de as porcentagens parecerem expressivas, porém, esses números não são considerados altos, se comparados ao fluxo de latinos que continuam deixando seus países de origem para viver nos EUA, de acordo com Geraldo Zahran, professor de relações internacionais da PUC-SP e coordenador do observatório político dos EUA no Brasil.
“Esse não é um número tão grande, se pensarmos nas pessoas que chegam todos os anos nos EUA. E essa movimentação é reflexo das crises tanto na América Latina quanto na América do Norte”, analisou.

Fluxo contrário
Na contramão dos estadunidenses, aproximadamente 28,5 milhões de latino-americanos e caribenhos, 4% da população local, emigraram, de acordo com a Cepal.
Desses, 70% escolheram a nação norte-americana para fixar residência. A maior parte dos emigrantes saiu do México: 11,8 milhões – 40% do total – seguido por 2 milhões de colombianos e 1,3 milhão de salvadorenhos. Depois dos EUA, o segundo país a receber mais latino-americanos e caribenhos é a Espanha, destino de 2,4 milhões deles.
O fluxo de pessoas não diminuiu, porém, barreiras políticas para impedir a circulação dos imigrantes. E é esse tipo de medida que ajuda a aumentar a ilegalidade e condições precárias de vida e trabalho no exterior, aponta Geraldo Zahran.
Ao analisar a situação dos EUA, o professor de relações internacionais avalia que apesar de o presidente Barack Obama ter anunciado a reforma migratória que beneficiaria até 3,85 milhões de imigrantes irregulares nos EUA, a imposição de barreiras para impedir a circulação interna é um problema que agrava essa situação.
“Esse fluxo de pessoas tem a ver um pouco com o aumento da repressão nos EUA nos últimos anos, onde há Estados que passaram a restringir suas políticas de imigração colocando cercas nas fronteiras, por exemplo”, disse ele.

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