Novo programa da polícia muda abordagem a doentes mentais em todo Estados Unidos

metal 63425% das pessoas mortas pela polícia tem algum distúrbio mental, segundo várias análises. Em resposta ao clamor público policiais recorrem a treinamento

O telefonema ao serviço de emergência mencionava um homem com uma espada de samurai, atacando pessoas na beira da água. Era noite e, quando a polícia chegou, eles viram o homem caminhando na margem e o chamaram. A pessoa respondeu jogando uma pedra na direção onde estavam os policiais. Eles gritaram para ele do barco do xerife; ele jogou outra pedra. Mandaram que largasse a espada; ele respondeu que os mataria. O homem começou a ir embora da praia e, após alertá-lo, atiraram em sua perna com uma arma não letal. O aspirante a samurai se voltou, ainda segurando a espada de 1,2 m.

Em outra cidade ou na própria Portland há pouco tempo atrás a próxima medida muito provavelmente seria um confronto direto e, caso o homem não tivesse baixado a arma, o emprego de força letal.

A polícia de Portland, no entanto, estimulada em parte pelas descobertas de uma investigação do Departamento de Justiça, de 2012, passou anos adotando um programa de treinamento intensivo e protocolos para os policiais saberem como lidar com doentes mentais.

Em um momento em que o comportamento policial sofre intenso exame –uma série de tiros fatais dados por policiais chamaram a atenção de todos os EUA para questões de raça e doença mental, a abordagem de Portland serviu como modelo para outras autoridades policiais do país. E naquele domingo do ano passado, a polícia daqui preferiu outro caminho.

Às 2h30, depois de passar horas tentando atrair o homem, os policiais decidiram ir embora, deixando o sujeito na praia. A busca durante o dia não encontrou sinais dele. Os doentes mentais estão representados em excesso entre os civis envolvidos em tiroteios com policiais: 25% das pessoas mortas pela polícia tinham algum distúrbio mental, segundo várias análises.

Por exemplo, em Chicago, a polícia matou um homem de 19 anos doente mental, Quintonio LeGrier, em dezembro, depois que, segundo o relato dos policiais envolvidos, ele foi para cima deles com um taco de beisebol. Em Denver, Paul Castaway, 35, com histórico de doença mental, foi baleado e morto pela polícia no ano passado depois que chegou “perigosamente perto” dos policiais, segurando uma faca contra o próprio pescoço. Situações semelhantes aconteceram em Albuquerque, Novo México, Dallas e Indianópolis, entre outras cidades.

Em resposta ao clamor público, muitos departamentos de polícia, como o do Portland, recorreram a mais treinamento para seus policiais, em muitos casos adotando alguma versão de um modelo estreado em Memphis, Tennessee, quase três décadas atrás e conhecido como treinamento de equipe de intervenção em crise (TEIC). Estudos constataram que o treinamento pode modificar a maneira pela qual os policiais encaram os doentes mentais. E a abordagem, que ensina aos policiais como acalmar encontros potencialmente violentos antes que o uso da força se torne necessário, é útil para policiais diante de qualquer situação volátil, mesmo que uma crise com um doente mental não esteja envolvida, avaliam especialistas em manutenção da ordem pública.

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