Morto na Itália o terrorista do ataque de Berlim

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Anis Amri disparou contra dois policiais antes de ser morto

Uma vez passado o sentimento de orgulho por ter acabado com a fuga do suposto autor do ataque de Berlim, a Itália procura respostas para as perguntas geradas pela presença em Milão do homem mais procurado da Europa.

Não se chega por acaso em Sesto San Giovanni, antigo bairro operário de cerca de 80.000 habitantes, um pouco perdido, sem alma, onde Anis Amri disparou contra dois policiais que controlavam a sua identidade antes de ser morto.

Centro nevrálgico de transporte, o lugar é particularmente vigiado pela polícia.

A estação ferroviária onde a polícia o interpelou na sexta-feira às 03h00 é também uma estação terminal de metrô e importante plataforma de ônibus por onde transitam inúmeros estrangeiros diariamente.

“Aqui sou controlado todos os dias pela polícia, quando saio do ônibus”, relata à AFP Aziz, um jovem trabalhador marroquino. “À noite, o lugar é deserto, o que pode explicar o fato de uma pessoa sozinha ter chamado a atenção de uma patrulha”.

De acordo com os investigadores milaneses citados pelo jornal La Stampa, Anis Amri havia chegado de trem da França, e mais precisamente de Chambéry. Ele ficou três horas em Turim, onde a polícia está revendo as imagens das câmeras de vigilância para ver se falou com alguém.

Ele chegou na estação central de Milão na sexta-feira às 01h00, de onde ele foi para Sesto San Giovanni. O que ele faria em seguida? Encontraria membros de uma rede? Vingaria os quatro anos de prisão na Sicília por ter incendiado uma escola em 2011?

Os investigadores antiterroristas citados pela imprensa italiana se limitam neste momento a enumerar hipóteses, embora ressaltem que em Sesto San Giovanni há uma grande comunidade muçulmana.

O chefe da polícia de Milão, Antonio De Iesu, assegurou à imprensa que Anis Amri “não tinha ligação com a mesquita de Sesto”.

Segundo Tommaso Trivolo – que mora no prédio em frente à estação e viu de sua varanda uma ambulância após a troca de tiros – a presença de muçulmanos preocupa muitos vizinhos. Uma sala de oração perto da estação acaba de ser fechada.

A Itália investigou a presença no seu território de redes de simpatizantes jihadistas, mas apenas algumas dezenas de italianos aderiram ao grupo Estado Islâmico na Síria e no Iraque. O país, por vezes alvo de ameaças nos vídeos de propaganda do EI, nunca sofreu um ataque extremista.

No entanto, muitos italianos morreram nos ataques fora das suas fronteiras, como em Paris ou Bangladesh.

E, como no massacre de Berlim, onde morreu Fabrizia Di Lorenzo, de 31 anos, cujo corpo foi repatriado neste sábado para a Itália.

O fato de que o homem mais procurado da Europa entrou tranquilamente e armado na Itália preocupa os italianos.

“Ele poderia ter cometido outros ataques”, admitiu Iesu, evocando “um fugitivo muito perigoso”.

Ele carregava uma pistola na mochila pronta para ser usada, como demonstrado por abrir fogo contra a polícia.

“A Itália está se tornando um local de trânsito de terroristas, sem que nós sejamos capazes de reconhecê-los ou detectá-los, e que graças aos acordos de Schengen atravessam as fronteiras sem problemas em toda a Europa”, criticou o populista Beppe Grillo, líder do Movimento 5 Estrelas (M5s), que exige a expulsão imediata de todos os migrantes ilegais.

E, embora os habitantes de Sesto San Giovanni questionados pela AFP disseram estar tranquilos, Francesco Micali estimou que os policiais que mataram Anis Amri, saudados como heróis em todo o país, tiveram “sorte”. “Pode acontecer um ataque na Itália como na França, na Alemanha ou na Espanha”, acrescentou.

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