Morre o homem, e fica a lenda

muhammad-ali-08Voe como uma borboleta. Ferroe como uma abelha”, Muhammad Ali

Por: Antonio Machado

O mundo perde o “Esportista do Século” tri-campeão do box mundial, conquistou 37 nocautes e sofreu apenas 5 derrotas. Foi medalha de ouro olímpico aos 18 anos, mas jogou sua medalha no Rio Ohio reagindo ao racismo. Um campeão de atitudes entre elas a mudança do nome: Cassius Marcellus Clay Jr para Muhammad Ali, após se converter ao Islã. Em 1967, se recusou a servir o exército americano na Guerra do Vietnã e criticou o envio de militares para o conflito. Acabou perdendo o título mundial e ficou afastado do boxe por três anos.

A carreira profissional de Ali terminou com uma derrota por pontos para Trevor Berbick, no dia 11 de dezembro de 1981, no Queen Elizabeth Sports Centre de Nassau. Em 1996, já sofrendo do Mal do Parkinson, Ali, tremendo, emocionou o mundo ao acender a pira olímpica dos Jogos de Atlanta.

Da mesma forma que aguentou as pancadas que levou dentro dos ringues sem nunca ter sofrido um nocaute na carreira, também suportou, por décadas, esta doença degenerativa que afeta os neurônios. Em 1984 usou sua fama para ajudar nas pesquisas para buscar uma cura para a doença, inclusive fazendo tratamento com células tronco. Mesmo doente, rodou o mundo, teve encontros com líderes políticos, fez ações beneficentes e levou sua mensagem de paz e igualdade, foi sempre atuante convivendo com a síndrome de Parkinson, causada por degeneração das células cerebrais. Nunca foi provado que sua doença estava relacionada aos seus tempos de lutador.

Buscou a reforma no Boxe na lei federal nos EUA, introduzida em 1999 e decretada em 2000, com a intenção de proteger os direitos e o bem estar dos pugilistas, coibir sua exploração por parte dos promotores. Foi realizada uma ampla pesquisa sobre mortes no ringue; registra-se 1255 óbitos em 72 países, entre 1741 e 2005. Os pesquisadores concluíram que a falta de segurança predomina, motivando as mortes no ringue. Mas, quando a troca de socos vale dinheiro, a coisa muda de figura: as luvas são mais duras, o número de rounds é bem maior e os pugilistas não usam proteção no rosto, como os amadores. Isso acontece porque nem sempre pancadas na cabeça geram grandes vazamentos de sangue, mas sim pequenas hemorragias, que matam as células cerebrais pouco a pouco.

Quando não matam, essas lesões repetitivas podem causar danos irreversíveis, como o mal de Parkinson.
Morre o homem, e fica a lenda. Bob Gunnell, porta-voz da família, confirmou que a causa da morte foi um choque séptico (infecção generalizada) provocado por causas naturais não especificadas.

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