Marcha lutará pelos direitos dos trabalhadores imigrantes

Natalicia

Natalícia Tracy, diretora executiva do Centro do Imigrante Brasileiro

Fabiano Ferreira

Defender o direito a salários justos e dignidade no trabalho. Este é o principal objetivo da “Marcha da União para a Justiça Racial & Econômica” (Unity March for Racial & Economic Justice) marcada para o próximo dia 10 de novembro em todo os Estados Unidos. Na Grande Boston, o evento terá o apoio de entidades como SEIU1199, Jobs with Justice, City Life/Vida Urbana, ROC Boston, Brazilian Worker Center, Chelsea Collab, SIM, SEIU32BJ, SEIU509 e American Friends Service Committee.

Representantes das entidades e sindicatos sairão às ruas para manifestar sua indignação com a exploração e abusos no trabalho, além pedir que o valor pago por hora de trabalho mude de $ 9 para $ 15 dólares.

Esta semana, representantes destas entidades se reuniram para começar a organizar a manifestação. Segundo Natalícia Tracy, diretora executiva do Centro do Imigrante Brasileiro, esta será a primeira marcha em nível nacional para sensibilizar a sociedade sobre a situação dos imigrantes no trabalho. “O maior problema que constatamos atualmente é o que chamamos de roubo de salário. Também temos muitas queixas de trabalhadores que são humilhados pelos empregadores, que muitas vezes ameaçam seus subordinados dizendo que vão chamar a imigração”, explica.

Para se ter uma ideia da gravidade do problema, só no Centro do Imigrante Brasileiro, com sede em Allston (MA), 60% das queixas referem-se a situações no trabalho. Por ano são cerca de 5 mil atendimentos, o que significa que em pelo menos 3 mil deles há relatos de roubo de salários e outros tipos de exploração.

Dia inteiro de manifestação. Uma nova reunião nos próximos dias vai acertar mais detalhes da manifestação do dia 10 de novembro. Segundo Natalícia Tracy, em Boston a marcha ocorrerá das 6 da manhã às 4 horas da tarde, o que permite que pessoas que trabalham em diferentes turnos possam participar. “Teremos várias atividades, inclusive com a participação de sindicatos, que vão sensibilizar os trabalhadores a aderirem ao ato”, diz.

O início da marcha será em frente à State House e o encerramento será nas imediações do City Hall. A meta é atrair 2 mil pessoas durante todo o percurso.

Principais problemas
Não há uma estimativa de quantos trabalhadores sofrem abuso em relação ao trabalho, mesmo porque a maioria é indocumentada. Mas as entidades que lidam diretamente com as queixas relatam que o problema é constante uma vez que não há fiscalização.

“Uma grande preocupação é também com a segurança no ambiente de trabalho e o fato de que muitos trabalhadores também adoecem em função da exploração’, diz Natalícia Tracy. Junta-se a isso a falta de pagamento de horas extras, o que gera indignação entre os trabalhadores.

De acordo com a diretora do Centro do Imigrante Brasileiro, para a marcha do dia 10 de novembro também serão convidados deputados e senadores simpatizantes da causa, já que estas questões terão grande influência nas próximas eleições. “Nosso objetivo maior é criar uma unidade entre os grupos para ganharmos forças em nossas reivindicações. Se todos apoiarem e trabalharem juntos podemos conquistar nossos direitos e ter mais espaço na sociedade”, diz.

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