Machismo, a culpa é minha é sua, e não delas!

Por Adson Fernandes

culpaAos dois anos de minha idade, meu pai o típico machista brasileiro, decidiu abandonar a família, minha mãe, dois irmãos mais velhos e eu.
Não sem sofrimento minha mãe teve de assumir também o papel de pai. Minha mãe foi apenas mais uma mulher para aquele “macho” covarde que abandonou tantas outras famílias. Minha avó nos contava que havia próximo à nossa cidade um Padre que fazia o casamento do meu “pai” tantas vezes ele quisesse desde que efetuasse um pagamento.
Meus avós tiveram uma educação rígida baseada nos princípios católicos, para eles o casamento religioso era o mais importante e acabaram concordando com o casamento apenas na igreja, diante da promessa de que no futuro haveria o casamento no civil. Promessa jamais cumprida já que meu “pai” já era casado perante a lei. Minha história é apenas uma de tantas outras de um país de machistas.O fato é que eu tive uma educação também machista, ainda que educado por minha mãe e minha avó, já que elas também foram vítimas e mesmo inconscientemente aceitavam as posições do mundo machista daquela época.
O tempo passou e aprendi a entender que não há superioridade entre pessoas e muitos menos entre homens e mulheres. Aprendi que atribuir às mulheres o papel de submissão, exigindo delas que sejam as responsáveis pelos serviços de casa, sejam fêmeas apenas para satisfazer nossos desejos de machos e procriar não é uma atitude de homem e sim de um machista e covarde, já que é difícil separar as duas coisas.
No auge dos meus 53 anos de idade, é com tristeza que li a pesquisa realizada pelo IPEA sobre a violência contra as mulheres. O tempo passou, houveram avanços, mas os números mostram que pouca coisa mudou.
Um percentual de 65% dos brasileiros atribui à forma das mulheres se vestirem a culpa pelas agressões sexuais por homens, muitas vezes realizadas pelos próprios parceiros. A seguir tal raciocínio eu poderia concluir que são as vítimas de assaltos culpadas por usarem bens de consumo que os assaltantes não podem comprar.
Para mim o fato é vergonhoso e me visto de uma vergonha ainda maior ao constatar que Vitória ES, meu Estado, é a capital com o maior número de ocorrência de agressões contra mulheres.
Sinceramente, depois dessa, a mim não surpreenderia inclusive a criação de alguma lei que realmente desse direito ao homem agressor de processar sua vítima. Parece estranho não é?
Mas é isso mesmo que eu quis dizer, afinal, o que não falta é político brasileiro com pensamento convergente com os resultados dessa pesquisa.
Quero aqui externar minha indignação e lembrar mais uma vez do alto da pequenez de nosso machismo pátrio, o quanto nós somos dependentes das mulheres.
O quanto nós precisamos delas não apenas para nascer, para constituir família, perpetuarmos nossas espécies e tantas coisas mais. Aliás, o nosso machismo nos ensina que até mesmo quando desejamos ofender profundamente outro homem, é a imagem da mulher que nós usamos.
Afinal qual de nós homens nunca ofendeu um amigo, ou até mesmo um juiz de futebol adjetivando de forma pejorativa suas referidas mães?
Meu desejo é de que cada vez mais as mulheres se envolvam em todas as áreas no nosso país, sobretudo no poder, pois vejo ai o caminho para a criação de medidas que até agora os homens não foram capazes de implementar. Só espero viver o suficiente para ver um dia uma pesquisa com resultados que mostrem o quanto somos iguais, ainda que diferentes.

Tenham todos uma otimASEMANA!

Notícias Relacionadas

Faça Um Comentário

O seu email não será publicado. Os campos requeridos estão marcados com *

A Semana » Developed by Truejump