Família quer trazer corpo de brasileira morta na Nicarágua para Pernambuco

Rayneia Gabrielle Lima era pernambucana. Mãe conta que filha falava da violência no país da América Central: ‘ninguém estava saindo na rua’.

Depois de saberem da morte da filha, os pais da brasileira Rayneia Lima, de 30 anos, lamentaram a perda e, em meio ao luto, tentam organizar o transporte do corpo da médica, natural de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata, até o Brasil.

Rayneia estava na Nicarágua desde 2013, a brasileira se preparava para voltar ao Brasil em 2019, segundo a mãe. “Ela tinha acabado a faculdade e estava fazendo residência. Estava indo para o plantão quando falou comigo, era uma moça estudiosa e esforçada”, lamenta a mãe.

Entenda o caso – Segundo Ernesto Medina, reitor da Universidade Americana em Manágua (UAM), onde a jovem estudava, a morte foi confirmada nesta terça-feira (24). Em nota, o Itamaraty disse que busca esclarecimentos junto ao governo nicaraguense. A embaixadora da Nicarágua no Brasil, Lorena Martínez, foi convocada a dar explicações ao Ministério das Relações Exteriores sobre a morte da estudante.

O assassinato da estudante brasileira ocorreu horas depois de Medina participar de um fórum no qual disse que o crescimento econômico e a segurança na Nicarágua antes da explosão dos protestos contra o presidente Ortega em abril “era parte de uma farsa” porque “nunca houve um plano que acabasse com a pobreza e a injustiça”.

Para Medina, a morte de Rayneia é um sinal do que está acontecendo na Nicarágua e contradiz o que Ortega disse em entrevista a uma rede de televisão sobre a paz no país.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) responsabilizaram o governo da Nicarágua por “assassinatos, execuções extrajudiciais, maus tratos, possíveis atos de tortura e prisões arbitrárias”.

De acordo com a Associação Nicaraguense de Direitos Humanos, mais de 350 pessoas já morreram, entre elas, muitos estudantes. Nesta terça, a Polícia Nacional negou a versão do reitor e afirmou que um vigilante realizou os disparos.

A Nicarágua está imersa na crise mais sangrenta da história do país em tempos de paz e a mais forte desde a década de 80, quando Ortega também foi presidente (1985-1990).

 

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