Especialistas dizem que crise de falta de água era cenário anunciado

SECOA falta de chuva diminui drasticamente os níveis dos reservatórios de água no Brasil. Na Região Central de Minas Gerais, este é o mês de janeiro mais quente desde 1910. No país, os estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste tiveram um corte no abastecimento de energia na última segunda-feira (19). A redução foi determinada pelo operador nacional do sistema. Segundo o professor de engenharia hidráulica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutor em planejamento de sistemas energéticos Carlos Barreira Martinez, este cenário era anunciado e começou em outubro do ano passado, mas foi mascarado por questões eleitorais.
O professor do Departamento de Biologia Geral da UFMG Ricardo Motta concorda com Martinez, e acrescenta que cientistas da Organização das Nações Unidas (ONU) alertaram sobre o problema em 2007. Na época, a instituição afirmava que a Região Sudeste do país, assim como outras do mundo, como a Califórnia, nos Estados Unidos, iriam sofrer a crise atual. “Tempo suficiente para o governo brasileiro tomar medidas, por exemplo, de mudança da nossa matriz energética”, critica Motta.
Para os professores, o que se pode fazer no momento atual é tentar diminuir o consumo de água. Apesar disso, eles alertam que a situação vai se agravar ainda mais. ”Nós vamos ter uma redução também no nível de produção industrial. Nós vamos ter diminuição de produção industrial, agrícola, e de empregos. E nós vamos ter um sistema em que os preços vão subir”, diz Carlos Barreira. “Nós vamos ter uma crise realmente muito séria. Vai haver desabastecimento de água, de energia. E se você está achando que a situação está difícil agora, espere até março para ver o que vai acontecer”; prevê o especialista.
De acordo com o professor, o modelo do sistema elétrico brasileiro ele é equivocado; problema que se arrasta há 20 anos. A questão ambiental, no entanto, não é descartada pelos professores da UFMG. Conforme eles citam, esta é uma questão global, vivida em todo o planeta. Mas o agravamento do quadro ocorre por motivos políticos. “Hoje, no Brasil, você faz todas as suas ações pensando exclusivamente na eleição do dia seguinte. Se isso não for mudado, se não houver uma reforma nesse país, nós vamos viver de crise em crise”, afirma o professor de engenharia hidráulica. A previsão é de que a situação de racionamento dure de dois a três anos, segundo Martinez. Já Motta fala em um período mais longo: quatro a cinco anos para que a situação volte ao normal, se houver chuvas em quantidade suficiente. De acordo com a análise do doutor em planejamento de sistemas energéticos, depois desse período, a situação deve ser equilibrada naturalmente, mas é precisar revisar as políticas estruturais no setor, a fim de evitar que a população enfrente outras crises.

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