O Brasil prefere Hillary na Presidência dos Estados Unidos

Hillary Clinton 589No Palácio do Planalto e no Itamaraty, a democrata Hillary Clinton é secretamente tida como preferida na disputada eleição para a Presidência dos Estados Unidos.

Embora diplomatas observem que tradicionalmente a relação entre Brasil e Estados Unidos foi mais fácil quando a Casa Branca era ocupada por um republicano, desta vez os padrões não se encaixam. E preocupa as autoridades brasileiras a forma como se dará a interlocução com o governo americano, caso o republicano Donald Trump vença o pleito.

Uma fonte diplomática pontua que os republicanos sempre tiveram posições claras e bem delimitadas, enquanto os democratas são “mais volúveis”. Mas se Trump ganhar, integrantes do governo sentem que trabalharão num terreno pantanoso, imprevisível.

Trump não pode ser considerado um republicano. Ele é alguém que fala tudo o que lhe vem à cabeça, sem papas na língua, num país obcecado em ser politicamente correto. Isso pode dificultar não apenas a relação com o Brasil, mas com qualquer governo. Com Hillary, as relações serão previsíveis, ela é uma política experiente. Com ele, não diz o diplomata.

No Itamaraty, questiona-se também sobre a montagem da equipe de Trump, caso vença. – Hillary já foi primeira-dama por oito anos, foi senadora, foi secretária de Estado, já formou diversas equipes ao longo dessa trajetória. Sabemos que a democrata saberá lidar com uma situação de crise. Trump é um desconhecido. Vai chamar quem para compor governo? O amigo apresentador de TV? pegunta a fonte do Itamaraty.

O presidente Michel Temer e seus principais ministros políticos acompanham passo a passo o desenrolar da disputa. Assistiram aos debates e discutem com aliados as polêmicas e reviravoltas.

Trump perdeu muito dentro de casa, entre os próprios republicanos. Isso dificultou a chance de ele ampliar o leque de eleitores  observa um auxiliar presidencial, antes de o republicano ultrapassar Hillary nas pesquisas.

Dúvidas sobre Gabinete –  Reservadamente, interlocutores de Temer admitem que o atual governo “tem mais identidade com a candidata democrata”. Oficialmente, no entanto, o discurso é que, não importa quem vença o pleito, o Brasil retomará a tradição de ter com os americanos uma parceria intensificada.

Independentemente do resultado, o Brasil é um parceiro tradicional dos Estados Unidos. Seja um presidente democrata ou um republicano, a relação será a mesma — disse o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Foram recebidos com perplexidade pelo governo brasileiro os áudios revelados pela imprensa americana de diálogos, de 2005, entre o republicano e um apresentador de TV nos quais Trump diz que pode agarrar a mulher que quiser pelos órgãos genitais só porque é famoso. No último encontro que Temer manteve com o ex-presidente Fernando Henrique, participantes da conversa afirmaram que eles falaram longamente sobre o caso e se disseram chocados.

Especialistas consideram que, independentemente do resultado, a eleição americana terá impactos pequenos sobre o Brasil, por exemplo, com relação a imigração e relações comerciais. Para eles, a América do Sul não está entre as prioridades da política externa dos Estados Unidos, preocupada principalmente com o Oriente Médio, a Ásia e a Europa. E os dois países ainda precisam ampliar as relações econômico-comerciais, que pouco avançaram nos últimos anos.

Além disso, o partido do presidente americano não tem feito muita diferença nas relações bilaterais, e o avanço dos principais temas discutidos entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca independe do clima político na capital americana. O ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos Roberto Abdenur alerta, por outro lado, que uma eventual vitória do republicano Donald Trump pode significar uma escalada protecionista que afetaria também as exportações brasileiras.

A economia mundial está crescendo pouco e o comércio internacional cresce menos ainda. Esse problema será agravado se Trump for eleito e puser suas ideias em marcha, o que certamente afetará o Brasil. Ele levaria o protecionismo a um nível extremo, grave. O presidente americano tem poderes para denunciar e romper acordos sem anuência prévia do Congresso. Seria desastroso, afirma o diplomata.

O professor Carlos Pio, do curso de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), afirma que uma vitória republicana preocupa pelas incertezas. Ele crê que a política externa de Hillary Clinton seria uma continuidade daquela do presidente Barack Obama.

Quem iria manejar a engrenagem do governo Trump? A gente não sabe. A máquina republicana nunca esteve com Trump e se afastou ainda mais nas últimas semanas. Isso traz incertezas para todo o planeta. Mas o Brasil não está na alça de mira de ninguém, disse o professor.

Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Até setembro, o Brasil já havia exportado mais de US$ 17 bilhões para os americanos, 12,2% de todos os embarques registrados no país. Na comparação com o mesmo período de 2015, a queda das exportações para os americanos já chega a 6,4%, mesmo com a queda do dólar, que costuma impulsionar vendas para o exterior. A balança, no entanto, é deficitária para o Brasil. Até setembro, o país já comprara dos americanos US$ 17,7 bilhões.

É uma relação comercial que pode e precisa ser ampliada. Sobretudo para produção industrial brasileira, a relação com os Estados Unidos é muito importante,  afirma o professor de Relações Internacionais Guilherme Casarões, da Fundação Getulio Vargas e da ESPM.

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