Dólar deve cair para R$ 3,60 com fator Previdência

Moeda caiu forte esta semana com andamento da reforma no Congresso e ainda tem espaço para recuar mais nos próximos meses.

O avanço da reforma da Previdência no Congresso está deixando otimistas os analistas e investidores. Em relatório, o UBS foi um dos primeiros a atualizar suas projeções para o câmbio, vendo uma maior apreciação do real e o dólar valendo R$ 3,60 no fim do ano.

“O Congresso brasileiro tem apoiado mais a reforma nas últimas semanas. A [Proposta de Emenda à Constituição] PEC será aprovada na Câmara dos Deputados”, escreveram os analistas Ronaldo Patah e Alejo Czerwonko.

A mesma visão tem Diego Ruiz, analista da Acciones y Valores, de Bogotá. Em entrevista para a Bloomberg, ele afirma que os investidores estão cada vez mais focados no debate sobre a reforma da Previdência, deixando o exterior um pouco de lado neste momento.

“O que nos deixa mais otimistas é a capacidade que Bolsonaro tem de entregar a reforma da Previdência”, disse Ruiz. “Precisamos lembrar que o principal ’driver’ agora está mais relacionado a fatores locais do que internacionais”. Para ele o dólar deve voltar para R$ 3,65 até o fim do trimestre e cair para R$ 3,60 até dezembro.

Já para o UBS, embora sigam altos os riscos de adiamentos e alterações no texto da reforma, a convicção do mercado de que a Previdência será aprovada antes do fim de 2019 cresceu. Em relatório a clientes, José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, pondera que é possível que a economia da reforma ainda caia mais um pouco, para em torno dos R$ 850 bilhões, quando a PEC for a plenário por conta das concessões para corporações, em especial para policiais federais e guardas municipais. Apesar disso, o otimismo do mercado é grande.
Este cenário de andamento da Previdência no Congresso também começa a elevar as projeções de corte na taxa básica de juros.

Durante os últimos encontros, o Comitê de Política Monetária (Copom) condiciou uma redução da Selic ao avanço da reforma. Com isso, o mercado já precifica um corte de 25 pontos-base na reunião do dia 31 de julho.

EUA e China são os dois maiores parceiros comerciais do Brasil e, para o real continuar subindo, os dois países terão que chegar a algum tipo de resolução, afirmou.

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