China capitaliza vácuo aberto por Trump em instituições globais

Xi Jinping, dirigente máximo do regime, descreveu a China como “grande potência” e diz que, em 2050, o país “se tornará potência global líder do mundo”.

Ao longo das três horas e 23 minutos de discurso na abertura do Congresso do Partido Comunista da China, nesta semana, , dirigente máximo do regime, descreveu a China como “grande potência” 26 vezes. Previu que, em 2050, o país “se tornará potência global líder e terá posição de destaque entre as nações”.

Ficaram para trás os tempos em que a ditadura chinesa pregava a modéstia e seguia a máxima do líder Deng Xiaoping (1904-97): “Esconda sua força e espere pacientemente pela oportunidade”.
“Estudantes balançam bandeiras ao acompanhar fala de Xi Jinping no Congresso do Partido Comunista” .

A China perdeu os pudores e vem preenchendo o vácuo de liderança mundial deixado pelo presidente americano, Donald Trump, alérgico a concertações multilaterais.
Enquanto Trump defende os “Estados Unidos em primeiro lugar” e rasga acordos comerciais como a Parceria Transpacífico sobre acordo de Paris, o clima, a China reforça seu financiamento a instituições como a ONU e seu compromisso com a mitigação do aquecimento global. Chineses assumiram postos de liderança no Banco Mundial, na Interpol e em outras organizações. Os EUA anunciaram que vão sair da Unesco, o braço da ONU para patrimônio histórico e cultural.

Em artigo no “Wall Street Journal”, em maio, integrantes do gabinete de Trump diziam que “o mundo não é uma ‘comunidade global’, mas uma arena onde nações, ONGs e empresas se relacionam e disputam vantagens”.

Já o dirigente da maior ditadura do mundo roda o globo pregando “comunidades com futuro compartilhado com a humanidade” e criticando o isolacionismo de Trump, “nenhum país pode se recolher à sua própria ilha, vivemos em um mundo compartilhado e encaramos um destino compartilhado”

O projeto de Xi é oferecer a “solução chinesa”, expressão lançada em julho do ano passado, para o mundo. “O Partido Comunista da China e o povo chinês têm confiança em poderem oferecer uma solução chinesa para a busca da humanidade por instituições sociais melhores”, disse Xi no aniversário do partido.

Em janeiro deste ano, Xi foi mais assertivo. Apresentando-se como defensor do livre comércio, disse que a China deveria “guiar a globalização econômica”. No mês seguinte, em Pequim, subiu a aposta afirmando que o país deveria “guiar a sociedade internacional para uma ordem mundial mais justa e racional”.

Fonte: Folha de São Paulo

Notícias Relacionadas

Faça Um Comentário

O seu email não será publicado. Os campos requeridos estão marcados com *

A Semana » Developed by Truejump