Brasileiros beneficiados pelo Daca vivem incerteza e medo de deportação

Ação diferida para chegados na infância (livre tradução para Deferred Action for Childhood Arrivals) têm vivido na incerteza. 

Isso porque o futuro do programa depende de um projeto de lei de imigração, que está em andamento no Congresso americano. O Daca acabou virando moeda de troca – o presidente Donald Trump promete mantê-lo somente se a construção do muro na fronteira do México não for impedida pela oposição Democrata.

O Senado dos Estados Unidos votou nessa segunda-feira (22) uma proposta de orçamento para encerrar a paralisação do governo federal. Os democratas aceitaram ao acordo depois de o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, ter prometido permitir que um projeto de lei sobre imigração seja votado no próximo mês, o que envolve os jovens do Daca, conhecidos como sonhadores.

A angústia da espera é agravada principalmente porque a maioria dos jovens beneficiários diz se sentir mais adaptado ao estilo, cultura norte-americana que brasileira, já que construíram seus planos para viverem nos Estados Unidos no país.

A Agência Brasil conversou com vários brasileiros beneficiários do programa. – Como Janaína Lemos*, de 24 anos, que é beneficiária desde que o programa foi iniciado em 2012, durante a gestão do ex-presidente Barack Obama. Ela chegou aos Estados Unidos com os pais com visto de turista, aos cinco anos de idade. A jovem fala português com certa dificuldade. “Sou muito mais americana que brasileira”, afirma. Janaina mora em Atlanta e trabalha como técnica de audiometria, mas ainda não conseguiu entrar em uma faculdade. “Mesmo para quem tem Daca a faculdade é caríssima.

Custa duas ou três vezes mais que para um residente permanente”, conta. A permissão da jovem de permanecer nos EUA termina em março do ano que vem. Noiva de um americano, ela deve se casar em setembro, mas diz que isso não lhe deixa mais tranquila. “Eu tenho medo de meu processo de residência permanente demorar muito e não sair até o vencimento do meu Daca”, diz.
Ela diz que não quer viver novamente a experiência de não ter documentos.

“Eu tinha 18 anos quando consegui o Daca, mas se fosse para eu ficar aqui sem papéis eu não ficaria. É muito ruim”, afirma. “Eu teria voltado para o Brasil, mesmo sabendo das dificuldades que teria para me adaptar”.

Situação semelhante vive a família Souza* em Orlando, na Flórida. Marcos Souza chegou à Flórida quando o filho tinha 5 anos de idade. Hoje, o rapaz tem 25 anos e também usufrui do Daca.
“O Junior chegou aqui pequeno, ele nem sabia ler ainda em português. Ele estudou aqui e trabalha comigo na construção”, diz Marcos Souza, que só tem mais um ano do benefício. O imigrante disse que a família espera que o governo Trump regulamente o Daca.

* Os nomes são fictícios para preservar a identidade dos entrevistados.

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