Brasil perde 1,5 milhão de vagas com carteira assinada em 12 meses

 

carteira de trabalho 618Com um saldo menor de contratações no comércio quando comparado com 2014, o Brasil perdeu em novembro 130,6 mil vagas de trabalho com carteira assinada.  

O mercado de trabalho é tradicionalmente impulsionado em novembro pelas vendas de Natal. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (18) pelo Ministério do Trabalho. Trata-se do pior resultado para um mês de novembro desde 1992, quando teve início a série histórica do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).  São 945.363 postos a menos apenas entre janeiro e novembro 2015.

Em um período de 12 meses, a redução foi de 1,527 milhão de vagas de trabalho formais.

“De 2002 a 2014, o emprego formal crescia em torno de um milhão de vagas por ano. Já perdemos praticamente o equivalente a um ano inteiro de geração de vagas”, diz o técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Estatísticos) Altair Garcia.

O comércio foi o único setor que abriu mais postos formais de trabalho do que fechou em novembro no Brasil. O saldo de 52.592 vagas formais equivale, no entanto, a apenas a metade do que foi atingido pelo setor no mesmo mês de 2014. E se perde em meio ao saldo negativo de 183.348 vagas em um período de 12 meses terminado em novembro.

Como o Caged registra apenas as vagas com carteira assinada, não são consideradas as contratações temporárias, comuns para o período.

Garcia ressalta que, enquanto em 2014 houve diminuição do número total de vagas em apenas em dois meses, em 2015 o único mês a ter saldo positivo foi março, com 19 mil vagas. “Vai ser um ano muito ruim”, diz.

A última vez em que havia ocorrido um saldo negativo em novembro foi em 2008, quando o Brasil sentia os efeitos mais agudos da crise internacional.

SÃO PAULO É O ESTADO QUE MAIS DEMITE – Com as demissões superando contratações em 32.291 vagas, São Paulo foi no mês o Estado que mais contribuiu para o saldo negativo.

Ele é seguido por Minas Gerais (-18.734), Goiás (-11.905) e Pará (-7.490). Alagoas foi o Estado com o maior saldo positivo, com as admissões superando as demissões em 3.140 vagas.

RITMO DE PIORA DA INDÚSTRIA SE ACELERA – A indústria de transformação foi o setor que mais demitiu em números absolutos. Em novembro, foram 77.341 vagas a menos, o que contribuiu para que a indústria também tenha o maior saldo negativo em 12 meses, com 414.075 vagas fechadas.

O relatório do Caged destaca que o ritmo de redução das vagas no setor se acentuou em outubro.

Houve queda em todos os 12 ramos industriais pesquisados, com destaque para a indústria têxtil (-14.655) e indústria química (-12.589).

O mau resultado de novembro contribuiu para que a indústria também tivesse o maior saldo negativo em 12 meses entre todos os setores, com 414.075 vagas fechadas.

E os cortes não têm prazo para cessar, diz Garcia, do Dieese. “O que tinha para ser gerado de encomenda e produção já foi escoado. Não existe nada que sinalize recuperação.”

Rafael Bacciotti, economista da consultoria Tendências, ressalta que o setor está acumulando estoques, o que deve inibir a volta da produção. O mercado internacional relativamente desaquecido também dificulta escoar o produto brasileiro, mesmo com o dólar forte. Garcia destaca a queda de de 7,8% no faturamento do setor entre janeiro e outubro.

CRISE POLÍTICA AGRAVA SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL –  O segundo pior resultado é da construção civil, que teve saldo negativo de 55.585 vagas em novembro e de 309.226 em 12 meses.

De acordo com Garcia, o setor é prejudicado por um estoque grande de imóveis encalhados em meio à recessão e pelo fato de que as maiores empresas do setor estão envolvidas no escândalo da Operação Lava Jato. “Há muita demanda por infraestrutura no país, mas isso travou por causa das incertezas políticas. O crédito secou”, diz.

o espaço de um ano, os dois únicos setores que contrataram mais do que demitiram foram agropecuária e administração pública, com saldos de 68.416 e 9.336 vagas, respectivamente.

Em novembro, no entanto, as demissões na agropecuária superaram as contratações em 21.969, por motivos sazonais, segundo o relatório. Na administração pública, o saldo negativo foi de 2.142 vagas em no mês.

Créditos: Folha / Mercados

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