Acusada de pirâmide, Telexfree diz que vai devolver R$ 250 milhões a participantes

A Ympactus Comercial

A ideia era arrecadar fundos para pagar os divulgadores que não tiveram tempo de recuperar o dinheiro

Alguns moradores de Mato Grosso conseguiram na Justiça que a Telexfree os restituísse o valor aplicado

A Telexfree vai realizar o mutirão da devolução que implicará no retorno de R$ 250 milhões aos seus respectivos donos. A Ympactus Comercial, que representa a Telexfree no Brasil, publicou um vídeo nesta terça-feira (19) prometendo devolver R$ 250 milhões aos participantes da empresa, que é suspeita de praticar pirâmide financeira, mas nega irregularidades.
Carlos Costa, um dos sócios da Ympactus, afirmou que foi concluído o “mutirão da devolução” e que foram juntados R$ 250 milhões nessa iniciativa. Em maio deste ano ele havia afirmado que a empresa ia fazer um “mutirão” para devolver o dinheiro de participantes.
A ideia era arrecadar fundos para pagar os divulgadores que não tiveram tempo de recuperar o dinheiro.
No vídeo divulgado terça-feira, Carlos Costa diz que conseguiu os R$ 250 milhões. Além disso, cita um patrimônio de mais de R$ 600 milhões, mas sem especificar qual é a origem.
“Vamos devolver o dinheiro dos divulgadores e vamos continuar, afinal de contas, tem R$ 600 e tantos milhões, tirando R$ 250 milhões, ainda tem lá uma beirada pra gente brigar. E vamos brigar até o final”, afirmou.
Apesar de citar o patrimônio de R$ 600 milhões, reportagem publicada pela revista “Veja” no último domingo (17), mostra que o patrimônio da empresa bloqueado é de R$ 152 milhões) e não é suficiente nem sequer para pagar as dívidas tributárias da Ympactus.
A Ympactus ainda não se pronunciou sobre o assunto.
A Telexfree vende planos de minutos de telefonia pela internet (VoIP) e é acusada nos EUA de praticar pirâmide financeira. A empresa também é investigada no Brasil e está proibida de operar desde junho do ano passado.
A empresa entrou com pedido de recuperação judicial (antiga concordata) dois dias antes da acusação de formação de pirâmide. Seus bens foram congelados nos Estados Unidos e a empresa foi impedida de operar.
A formação de pirâmide financeira é uma modalidade considerada ilegal porque só é vantajosa enquanto atrai novos investidores. Assim que os aplicadores param de entrar, o esquema não tem como cobrir os retornos prometidos e entra em colapso. Nesse tipo de golpe, são comuns as promessas de retorno expressivo em pouco tempo. A empresa nega qualquer irregularidade em suas operações.
Alguns moradores de Mato Grosso conseguiram na Justiça que a Telexfree os restituísse o valor aplicado. Entre elas um advogado de Rondonópolis solicitou a devolução de R$ 101 mil e um morador da cidade de Campo Verde pleiteou pouco mais de R$ 3,4 mil. As ações foram divulgadas em julho e outubro do não passado, respectivamente.
A cidade de Lucas do Rio Verde também entrou para o noticiário da Revista Veja, em julho do ano passado. No contexto, dizia como o caso Telexfree traumatizou uma cidade. Estimativas dão conta de que no país, cerca de 1,3 milhões de pessoas tenham investido no tal negócio.

MT Agora – UOL

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