A semana que transformou os Estados Unidos. A legalização do casamento entre homossexuais

guys married 597Às vezes, a história acelera o passo. Acaba de acontecer nos Estados Unidos. Em menos de uma semana, um símbolo associado ao grupo escravocrata da Guerra Civil o racismo é o pecado original deste país, a bandeira confederada, começou a ser retirado dos terrenos públicos nos estados do sul. A reforma do sistema de saúde, uma lei que amplia a assistência médica a milhões de pessoas sem seguro, foi garantida graças ao aval da Suprema Corte. E a própria Suprema Corte um órgão cujos membros não são eleitos e com nove juízes em cargos vitalícios promulgou uma das decisões de maior importância política neste país nos últimos anos: legalizar nos 50 estados o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Foi preciso mais de quatro décadas, mas os Estados Unidos foram “por este caminho” temido pelo republicano Nixon. E é um presidente democrata, embora historicamente tenha sido tardio, o que levanta a bandeira do arco-íris. Ao permitir a participação de gays e lésbicas nas Forças Armadas, Obama contribuiu para o empurrão final. Mas não foi ele quem decidiu que a Constituição reconheça o direito dos homossexuais de se casar assim como os heterossexuais, mas a Suprema Corte. E, no tribunal, o voto decisivo, do homem que redigiu a decisão, foi do juiz Anthony Kennedy, nomeado por Ronald Reagan, ícone da direita norte-americana.
Foi também a Suprema Corte que, ao legalizar na quinta-feira os subsídios de seguro de saúde, impediu que 6,4 milhões de pessoas perdessem o benefício e ficassem sem cobertura. Se os juízes tivessem anulado o Obamacare como a reforma ficou conhecida e deixassem milhões de pessoas fora da reforma, a teriam colocado em risco. A chave do Obamacare, um sistema baseado no seguro privado, é que o maior número de pessoas possíveis saudáveis e doentes tenha cobertura para reduzir os custos.
Um país onde os homossexuais se casam e que avança em direção à cobertura de saúde universal é diferente daquele que Obama herdou ao chegar à Casa Branca, em 2009. É outro país, quando o Sul arria a bandeira confederada. Sim, um racista branco matou nove negros em uma igreja. E a bandeira é apenas um símbolo, mas um símbolo carregado de significado. Nesta semana, os EUA também começaram a destacar o legado do racismo. O discurso de Obama na sexta-feira, durante o funeral do reverendo Clementa Pinckney, um dos mortos no ataque, pode ser um começo.
Nem a ratificação do Obamacare nem a legalização do casamento entre homossexuais nos 50 estados, ou a intenção de retirar a bandeira no Sul são de responsabilidade direta de Obama. Mas as três mudanças, que estava há muito tempo sendo preparadas e agora se cristalizam, definem o país que Obama deixará quando sair da Casa Branca, em 2017. Assim também como será definido pelas negociações sobre o programa nuclear com o Irã se forem bem-sucedidas nos próximos dias e pelo degelo com Cuba. Esta semana transformou os EUA e pode transformar a presidência de Obama.

Notícias Relacionadas

Faça Um Comentário

O seu email não será publicado. Os campos requeridos estão marcados com *

A Semana » Developed by Truejump