A morte de negros pela polícia e pelo vírus Ebola

Por: Adson Fernandes

A vida é infinitamente mais difícil para pessoas negras do que para pessoas brancas

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O episódio mostra que o problema racial nos Estados Unidos e no Mundo ainda vai demorar muito

A morte do jovem negro Michael Brown, morto pela polícia americana na cidade de Ferguson, no Estado de Missouri no centro oeste dos Estados Unidos, foi o estopim para violentos protestos na cidade, culminando com a morte de outro jovem negro.
O episódio mostra que o problema racial nos Estados Unidos e no Mundo ainda vai demorar muito para ser considerado coisa do passado. Embora a história nos mostre que a escravidão pela cor foi intensa apenas no Brasil e nos EUA, não é difícil de observar que a vida é infinitamente mais difícil para pessoas negras do que para pessoas brancas. E não é também difícil de entender isso, se imaginarmos que há apenas 100 anos a superioridade da raça branca era defendida até mesmo por líderes religiosos, há informações que os negros eram considerados seres sem alma, portanto poderiam ser comercializados como animais. Existem inclusive fotografias fartamente divulgadas na net, que mostram na década de 40 do século passado, negros sendo exibidos em zoológicos humanos, para o deleite de famílias brancas em países da Europa.
A discriminação racial é para mim uma das maiores vergonhas da história da humanidade e lamentavelmente ela persiste de tal forma que um país considerado por muitos como um exemplo de justiça, os Estados Unidos, não são tão justos para com os negros. Na cobertura dos protestos via TV, obtive a informação de que a cada semana a polícia americana mata pelo menos dois negros. Ocorre que essas mortes quase sempre são justificadas atribuindo aos negros o maior índice de crimes e é realmente verdade, se observarmos a cor da pele da população carcerária daqui, do Brasil e do mundo no Geral. Entretanto para entender os motivos dessa criminalidade é preciso entender também a história. Os negros após a escravidão foram empurrados para os guetos, para os bairros pobres e sem a devida estrutura para uma vida digna, basta observarmos nas cidades onde há a concentração da população negra para comprovar isso.
No meu entendimento não há justificativa para ações truculentas da polícia, ainda que os jovens mortos tenham cometido algum delito, afinal a polícia preparada tem o dever de efetuar a prisão e não matar o infrator. No caso de Ferguson a situação é ainda mais absurda se observarmos que o primeiro jovem morto se quer portava arma e estava com as mãos para o alto quando recebeu seis tiros de um policial branco, segundo testemunhas. Entretanto a polícia alega que ele tentou tomar a arma do policial. A versão da polícia para a morte do segundo jovem é de que ele portava uma faca e desafiou a polícia a atirar. Ainda assim não acredito que os policiais tenham agido com o profissionalismo que muitos costumam atribuir à polícia americana. Para mim os policiais em questão, não tiveram o devido preparo e diante do poderio do armamento oferecido a eles, decidiram “testar” suas armas, já que não são muitas as oportunidades de testar armamentos muitas vezes apropriados para táticas de guerra e o combate ao terrorismo.
Essas mortes fazem do mês de agosto de 2014 um triste período ao desrespeito aos negros, e mais triste ainda é o fato de que o exemplo vem dos Estados Unidos.
Outro exemplo que nos mostra o quanto a vida é pior para os negros vem da mãe África, países como Serra Leoa e Libéria tem uma população devastada pela fome, há dados que mostram que mais de um milhão e meio de pessoas não tem se quer o que comer por um único dia, e a ajuda internacional, até essa semana, tem ficado apenas na conversa. Diferentemente da ajuda de envio de armamentos por países ricos aos combatentes de conflitos armados em várias partes do mundo. Para complicar ainda mais a situação esses países enfrentam uma epidemia do vírus ebola que há muito vem dizimando vidas no continente africano.
Ao povo negro do mundo inteiro e principalmente desses países da África, resta continuar lutando ou acreditar em um Deus e se consolar na crença de que com a morte terão a vida eterna no paraíso longe de conflitos, da fome e do vírus. A frase que sintetiza bem a situação desses países veio do Chefe Executivo da Carlson Rezidor Hotéis, Lorenzo Stride, de 52 anos, que afirmou: “Se Deus existe, certamente ele se esqueceu de Serra Leoa”.

Meu desejo é que todas as pessoas, religiosas ou não, possam entender e demonstrar seus entendimentos de que não há superioridade de raças e que somos todos iguais como seres humanos, mesmo com nossas enormes diferenças.

Tenham todos uma ótimA SEMANA!

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