A luta global à migração

Illustartion_theguardian_27062014_8Não é só no Mediterrâneo que se está a viver uma grave crise humanitária. Milhares de migrantes da Birmânia e do Bangladesh estão à deriva, abandonados no golfo de Bengala e no Mar de Andaman, no sudeste asiático.
O número de pedidos de asilo na União Europeia tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos. Em 2014 o número de pessoas a procurar refúgio num dos 28 estados-membros quase duplicou em relação ao ano anterior.
A situação é desesperante ao largo da Tailândia, da Malásia e da Indonésia, países que têm genericamente ignorado os pedidos das organizações internacionais e até dos Estados Unidos para prestar ajuda aos que estão no mar. A Human Rights Watch acusa os três países asiáticos de estarem a jogar “pingue-pongue humano” com a vida das pessoas.
Desde domingo (10), mais de 2400 pessoas desembarcaram nas costas da Malásia e da Indonésia, mas vários navios foram impedidos de entrar nas águas destes países ou empurrados para águas internacionais.
O mortífero “jogo do empurra” protagonizado por Tailândia, Indonésia e Malásia já levou a ONU a apelar aos governos para que “garantam que a obrigação de salvamento no mar é cumprida e que é respeitada a proibição” de expulsar os migrantes de novo para fora das águas territoriais. As Nações Unidas também pedem para que seja “facilitado o desembarque e que as fronteiras e os portos se mantenham abertos para ajudar os necessitados”.
A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) estima que 25.000 pessoas da Birmânia e do Bangladesh tenham embarcado em barcos de traficantes nos primeiros três meses do ano. Os Rohingya, uma minoria muçulmana da Birmânia, que entre as mais perseguidas no mundo, segundo a ONU, constituem a maioria dos migrantes.
A ONU pediu nesta terça-feira (12) aos países do sudeste asiático que mantenham suas fronteiras abertas perante a presença no mar de milhares de imigrantes bengaleses e da minoria rohingya de Mianmar que tentam chegar, sobretudo, à Malásia. Ambos países lançaram operações de segurança para reprimir essa atividade delitiva. Cerca de 1,6 mil imigrantes foram resgatados nas últimas horas e se encontram na Indonésia e Malásia, mas “através de várias fontes, fomos alertados de que pode haver mais botes na região que necessitam ser localizados e ajudados”, disse o porta-voz do Acnur, Adrian Edwards, em entrevista coletiva em Genebra. A Organização Internacional de Migrações (OIM) ressaltou que é fundamental o resgate dos imigrantes. “Escutamos que possivelmente haja oito mil imigrantes agora no mar, o que sob qualquer ponto de vista é um número muito grande. Obviamente, se não estiver sendo feito nada para ajudá-los, dar comida, combustível e chance de ir para onde desejam- então haverá consequências humanas muito graves”, previu o porta-voz da OIM, Leonard Doyle.
Segundo organizações de ajuda que colaboram com a agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), várias embarcações com imigrantes estão à deriva após ser abandonadas por traficantes de pessoas que temiam ser detidos ao chegar à Malásia ou Tailândia.

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